quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Voce fica rouco com facilidade?

A produção da voz depende de quatro componentes: fluxo de ar fornecido pelos pulmões, produção de som pelas pregas vocais (nome correto para as cordas vocais) que ficam na laringe (região do pescoço), ressonância e articulação do som em fala nas estruturas da garganta (faringe, cavidades nasais e bucais), e o controle geral pelo sistema nervoso central. Se um dos quatro componentes citados não trabalharem de forma harmônica, tem-se uma disfonia, ou seja, uma alteração de voz.
A rouquidão intermitente pode ser um dos sintomas de alteração vocal e pode ter diversas causas:

  • Presença de queimação ou qualquer infecção recente do aparelho respiratório superior
  • Uso de medicamentos
  • Cirurgia ou trauma recente no pescoço ou no peito
  • Intubação orotraqueal recente
  • Hipotireoidismo
  • Doenças neurológicas, como Doença de Parkinson
  • Doenças inflamatórias ou auto-imunes
  • Uso profissional ou inadequado da voz.

Em relação as alterações vocais devido ao uso profissional ou inadequado da voz podem estar presentes os seguintes sintomas: rouquidão, presença de pigarros, esforço para falar, dor no pescoço, fadiga vocal, tosse, dificuldade em projetar a voz. Chamamos essa alteração de disfonia funcional por falta de conhecimento vocal, modelo vocal deficiente ou alterações estruturais das pregas vocais (sulcos e cistos vocais, entre outros). Estas alterações podem resultar ainda nas disfonias organofuncionais que são causadas por uma série de lesões decorrentes de alterações no comportamento vocal (nódulos vocais ? comumente chamados de calos, pólipos, edema de Reinke entre outros).
Uma pesquisa realizada entre 2010 e 2013 no Centro Ambulatório de Distúrbios de Voz, na Escola de Medicina de Botucatu (Unesp), realizada com professores e outros indivíduos que utilizavam a voz com maior frequência no seu cotidiano, evidenciou que os sintomas de alterações vocais são comuns entre professores. Os nódulos vocais foram predominantes entre os professores, enquanto que os pólipos e o sulco eram mais frequentes entre outras pessoas: pedreiro, bancário, motorista, engenheiro, profissionais da saúde, gerente da loja, vendedor, barman, aluno, serviços gerais, empregada doméstica. O refluxo laringofaríngeo foi predominante em ambos os grupos.
A avaliação fonoaudiológica (perceptivo auditiva) evidenciou alteração vocal similar e a rouquidão foi considerada discreta para ambos os grupos. Os pesquisadores descartaram cantores, porém sabe-se que esta população também pode apresentar alterações vocais por fazerem uso intenso da mesma.
Como evitar a rouquidão?
Todos os indivíduos podem apresentar disfonia em alguma fase da vida, porém quem usa a voz como meio de trabalho está mais propenso a apresentar alguma alteração. Existem alguns cuidados, que chamamos de Higiene Vocal, que são gerais a todos. As dicas abaixo orientam os indivíduos a fazer uso correto da voz e auxiliam no processo de conscientização e prevenção:

  • Ingestão de água: Beber água regularmente e em pequenos goles, favorece a hidratação do organismo que promove uma produção vocal sem esforço
  • Evitar ambientes poluídos: promove alterações vocais e laríngeas agudas ou crônicas
  • Evitar fumar e utilizar bebidas alcoólicas: agridem todo o sistema respiratório, principalmente as pregas vocais podendo causar irritações, aumento de secreção, tosse, pigarro, além de promover o ressecamento das pregas vocais e dificultar a vibração. O álcool também apresenta efeito anestésicos que diminuem a sensibilidade da laringe e podem causar o abuso vocal. O uso do cigarro ainda aumenta as chances de desenvolver câncer de laringe que, quando associado a bebida alcoólica, potencializa o risco
  • Alimentação: evite alimentos condimentados, derivados de leite, bebidas gaseificadas, cafeína e alimentos ácidos. Dê preferência a frutas, verduras e alimentos leves. Fazer uso da maça que tem função adstringente
  • Evitar gritar, pigarrear, tossir ou sussurrar: O atrito das pregas vocais podem promover irritação e descamação do tecido
  • Evitar exposição ao ar condicionado: reduz a umidade do ar e causa ressecamento do trato vocal que induz a produção de fala com tensão e esforço
  • Medicamentos: Evite se automedicar. Muitos remédios podem indiretamente causar alterações vocais e sensação de boca seca. Procure orientação médica
  • Vestuário: Não utilize roupas apertadas que comprimam região do pescoço e abdome. Dê preferência a roupas leves que permitam a movimentação livre do corpo
  • Alterações hormonais: a voz pode se modificar da adolescência, nas mulheres durante a menopausa e períodos pré menstruais. É importante saber as limitações em cada caso e saber controlar o uso da voz e evitar fala continuada por longos períodos
  • Alergias: Evite falar muito quando estiver gripado ou em crise alérgica, pois, o trato vocal apresenta-se edemaciado e haverá grande atrito entre pregas vocais durante a produção de fala.

Também é importante conhecer os hábitos que são prejudiciais a saúde da sua voz para que você possa modificá-los:

  • Falar muito
  • Falar em competição com ruído
  • Falar fora de sua frequência habitual
  • Imitar sons, vozes e ruídos
  • Ingestão excessiva de cafeína
  • Consumo de alimentos condimentados
  • Fumo
  • Consumo de álcool
  • Uso de drogas
  • Permanência em ambientes secos
  • Inadequação do descanso
  • Estresse
  • Uso de sprays e pastilhas anestésicas
  • Ocorrência de alergias respiratórias
  • Realização de automedicação
  • Exposição a mudanças bruscas de temperatura
  • Inadequação do vestuário
  • Insuficiência de hidratação
  • Falta de exercícios físicos
  • Alterações psíquicas
  • Alterações hormonais.

Quando procurar ajuda para rouquidão?
Se a rouquidão persistir por mais de 15 dias, procure um médico otorrinolaringologista. A alteração vocal persistente pode estar relacionada a diagnósticos mais graves como câncer de cabeça e pescoço ou a lesões que se identificadas rapidamente podem ser tratadas sem cirurgias.
O diagnóstico médico pode ser realizado com um exame completo de cabeça e pescoço. O diagnóstico fonoaudiológico associa o exame objetivo realizado pelo médico à avaliação vocal que envolve a análise perceptivo-auditiva (se tem rouquidão, aspereza, astenia, entre outros aspectos), o comportamento vocal do paciente, ou seja, se a voz é produzida ou utilizada de forma inadequada (faz muita força para falar, usa um padrão de respiração inadequado, grita ao invés de projetar a voz, etc.) e a demanda vocal (quantas horas o paciente precisa falar por dia, como é o ambiente, a necessidade do mesmo, etc.).
Referências:
1. Ana Carolina Soares, fonoaudióloga da Clínica Saúde Porã e do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP
2. Tainá Ferreira, fonoaudióloga e responsável técnica da Clínica Saúde Porã - Equipe Multidisciplinar
3. BEHLAU, M.; REHDER, M. I. Higiene vocal para o canto coral. Rio de Janeiro: Revinter, 1997. 68 p.
4. RODRIGUES, G.; VIEIRA, V. P.; BEHLAU, M. Saúde vocal: profissionais da voz, 2011. http://www.hcrp.usp.br/sitehc/upload/saudevocal.pdf
5. PEREIRA, E. R; TAVARES, E. L.; MARTINS, R. H. Voice Disorders in Teachers: Clinical, Videolaryngoscopical, and Vocal Aspects. J Voice, Butucatu, v. 29, n. 5, p. 564-71, 2015
6. COOPER, L.; QUESTED, R. A. Hoarseness: An approach for the general practitioner. Aust Fam Physician, v. 45, n. 6, p. 378-81, 2016
7. BEHLAU, M. Voz: O Livro do Especialista. Volume I. São Paulo: Revinter, 2008.
8. BEHLAU, M. Voz: O Livro do Especialista.Volume II. São Paulo: Revinter, 2010.

fonte: Site minha vida.

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